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Estela Flor Maria
(Antero Vaz de Andrade)
Eu
lhe mandei umas flores,
belas,
rosas,
silvestres,
jasmins...
Meus pensamentos... Nela!
O tempo todo,
todo o tempo dela
era de ser p'ra mim.
Eu sei que aquelas pernas... Tuas...
Era de eu ver, todo o tempo,
o tempo todo, nua!
Aquele pedaço de corpo,
um corpaço num compasso,
no ar,
no espaço de nossas quatro paredes, sim...
Teu corpo o tempo todo, nua...
que era p'ra eu ver quem brilhava mais
se o teu corpo ou a lua minguante, crescente, cheia...
E isso era uma desfaçatez com a lua,
pois por mais que fosse bela,
nunca chegaria - A LUA - a brilhar
feito aquele teu corpo, nua...
Aonde eu montava castelos, sem sela...
Apenas aquele teu corpo, nua,
e o meu corpo a meter no teu
todos os suores,
e cheiros
e líquidos,
até o desfalecer daquela madrugada...
Que sempre morrem - as madrugadas - no alvorecer
de um novo dia...
Nem que fechasse as cortinas do horizonte
nem isso, nem mais aquilo...
As madrugadas sempre terminam no alvorecer...
Nada se pode fazer.
Agora, era mesmo esperar
uma nova madrugada - a próxima - para
teu corpo - nua - de novo
ter em um abraço...
Daqueles abraços - eternos - de amores vãos,
que se sabem infinitos
até antes do alvorecer...
E nesse compasso,
durar mil dias nossas madrugadas
em teu corpo, nua, num aço,
meu corpo no teu,
embriagada de tanto soluçar
em meu gozo de tanto eu te amar,
assim, nua, desfalecendo...
E esfregando teu corpo, nu, no meu falo,
a toda hora o acordando,
dando...
Remechendo aquele teu corpaço, nu,
no meu espaço...
E em luz me transformando,
como se eu apenas fosse
madeira - um mero ingrediente
de uma fogueira - naquele fogo do teu amar por mim,
e por toda lenha que pudesse teu fogo atiçar.
Menina...
E eu lhe mandei umas flores, belas, rosas,
silvestres, jasmins...
Meus pensamentos - todos - o tempo todo
era tê-la
nem que fosse um "pedacim"
daquelas pernas nuas
onde o meu fogo se apagasse
naquele encontro, enfim, antes do fim...
Era de ser p'ra mim,
teu corpo,
antes do alvorecer...
Pois sei que ficavas louca,
tremendo,
gemendo,
gritando
gozando
teu corpo em toda aquela lenha...
Que quanto mais tremia,
mais o atiçava,
de forma a passado algum tempo,
amaciar o teu cio,
como se fosse possível
acabar com o teu fogo estelar
que teu corpo consome para todo o sempre,
enquanto durar todas as madrugadas.
Eu sei que aquelas pernas... Tuas...
Era de eu ver, de eu consumir tuas entranhas, nua,
por todo o tempo,
o tempo todo, nua...
Para todo o sempre,
sempre,
sempre...
Enquanto durar
toda aquela nossa tênue madrugada.
(Antero Vaz de Andrade)

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Postado por José Manuel Brazão em 7 dezembro 2009 às 7:48
Postado por Lustato Tenterrara em 6 dezembro 2009 às 21:29
Postado por José Manuel Brazão em 6 dezembro 2009 às 13:00
Postado por Lustato Tenterrara em 5 dezembro 2009 às 23:30
Postado por Suely Ribella em 5 dezembro 2009 às 1:00
Postado por José Manuel Brazão em 4 dezembro 2009 às 16:13
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Postado por José Manuel Brazão em 4 dezembro 2009 às 9:18
Postado por José Manuel Brazão em 3 dezembro 2009 às 21:35
Postado por José Manuel Brazão em 3 dezembro 2009 às 17:47
Postado por José Manuel Brazão em 3 dezembro 2009 às 13:07
Postado por José Manuel Brazão em 3 dezembro 2009 às 10:36
Postado por José Manuel Brazão em 3 dezembro 2009 às 10:35
Postado por Elio Bittencourt Moreira em 3 dezembro 2009 às 8:51
Postado por José Manuel Brazão em 3 dezembro 2009 às 7:20
Postado por Andrea em 2 dezembro 2009 às 16:13
Postado por Lustato Tenterrara em 2 dezembro 2009 às 1:33
Postado por Suely Ribella em 29 novembro 2009 às 1:00
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