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Informação

Site Oficial de Carlos Drummond de Andrade

"... O hábito de sofrer, que tanto me diverte é doce herança Itabirana" (cda) PS.: Descobrimos hoje que CDA não tinha Site Oficial. Agora tem DOIS.

Site: http://CarlosDrummond.multiply.com
Local: Brasil
Membros: 18
Última atividade: 1 Out

Site Oficial de Carlos Drummond de Andrade: Apresentação, Justificativas, Homenagens

Site Oficial de Carlos Drummond de Andrade: Apresentação, Justificativas, Homenagens



Trecho intermediário desta publicação coletado no website Memória Viva, referências e links expressos acima, e abaixo manutenção dos links, no corpo do texto. Lustato Tenterrara, Owner do Site Oficial de Carlos Drummond de Andrade

Site Oficial de Carlos Drummond de Andrade




A QUEIXA

     “Antes, as pessoas que sabiam escrever a língua se destacavam na literatura e nas artes em geral. Mas hoje há escritores premiados que não conhecem a língua natal...
     “Quem hoje não sabe a língua
e se manifesta mal é que aprendeu de maus professores. A decadência
do ensino no Brasil é uma coisa que tem pelo menos trinta a quarenta
anos - e talvez mais”.

     “Precisamos educar o Brasil/ Compraremos professores e livros/ assimilaremos finas culturas/ abriremos dancings e subvencionaremos as elites/ Cada brasileiro terá sua casa/ com fogão e aquecedor elétrico, piscina/ salão para conferências
científicas./ E cuidaremos do Estado Técnico” (Hino
Nacional
- trecho)


by Lustato Tenterrara - Escritor UBE-343/99-PI

Lustato Tenterrara é pseudônimo do Dr. Luiz Carlos Carvalho de Melo, advogado, inscrito naOAB-PI  sob o n.º 4847/2006


Não canso de repetir o absurdo de Drummond não ter um site oficial. Drummond enterrou sua filha única, e a mais amada das mulheres de sua vida. E enterrou-se junto com ela. Morreu menos de uma semana depois. O coração do Poeta parou há exatos vinte e um anos e dez meses. Quem diria? Já se vão mais de vinte anos, e Drummond, nesse período, nunca deixou nenhum de seus dias posteriores sem a sua presença marcante.

Um desacreditador na vida eterna, agnóstico, dizia que após sua morte ninguém mais falaria dele. Afinal ninguém fala mais em Fulano, nem em Beltrano. E Sicrano? Ninguém se lembra mais de Sicrano! Dizia ele, Drummond, poucos dias antes da morte de sua filha única, e da sua morte, também, logo em seguida.

É que o Poeta amava-a ao extremo!

No entanto o Poeta equivocou-se no tocante à sua pós-existência material aqui neste Reino dos Céus. Disse que ninguém se lembraria dele, equiparando-se a alguns nomes que ele reputava bons literatos e que, no entanto, esquecidos. É também por que Drummond não se considerava mais do que uma pessoa comum, que escrevia apenas para suportar as dores do mundo. De suas obras, dizia, apenas lembrariam-se de duas frases feitas, e por puro modismo: "E agora, José?", e "Uma pedra no meio do caminho!". Mais nada!, dizia ele.

Drummond talvez não soubesse o tamanho de sua grandeza e de sua obra. Talvez soubesse, mas a modéstia o impedia de comparar-se aos verdadeiros expoentes literários. Comparar-se a Fulano, Beltrano e Sicrano, embora escritores com repercussão de suas obras em vida, não eram expoentes. (creio que talvez fossem políticos, ou ligados a políticos ou à oligarquia. Pois já fui duas vezes lá embaixo, na transcrição de sua última entrevista, reli os nomes de Fulano, Beltrano e Sicrano, e quando retorno aqui para incluí-los, não estão mais em minha memória). Decerto que não são, nem foram expoentes.

Também por que os expoentes literários são poucos e, dispersos no tempo da história das civilizações, muito raramente ocorrem muitos numa mesma geração. Apenas um par ou dois. Haverá ainda um ou dois pares na geração anterior e mesmo tanto na posterior, a habitar a contemporaneidade de um literato expoente. Mais que isso  é exceção. Pode haver. Mas é exceção.

Drummond a esse fato ratifica-o, quando dizia que embora houvesse bons escritores na Academia Brasileira de Letras, dificilmente os 40 integrantes seriam todos bons escritores.

Ou seja, deduz-se, dessa assertiva de Drummond que alguns há na academia, que não foi a sua literatura que lá os colocou.

Para finalizar, gostaria de informar aos nossos leitores e internautas em geral, e aos eventuais herdeiros de Drummond, que acho uma falta de vergonha não existir o site oficial de Carlos Drummond de Andrade. Indago-me se Drummond deixou netos, algum filho de sua única filha. O que acho difícil, pois se algum neto de Drummond existisse ele já deveria ter colocado na web o site oficial de seu avô. Creio mesmo que eventuais herdeiros talvez possam existir na linha colateral, acaso tenha tido irmãos, que tenham gerado filhos. Ou quem sabe, sua herança ficou para o Estado, vez que os direitos de herança vão somente até o quarto grau (que é o grau que temos de nossos primos - que muito equivocadamente os leigos
dizem 'primo em primeiro grau').

De qualquer modo, deve ser um desses motivos. Estão seus eventuais herdeiros, ou o Estado, usufruindo a grande massa dos direitos autorais de Drummond, que pouco ligam para o registro e inclusão na Era Digital do acervo de Drummond, afinal ele é apenas mais um dos quatro expoentes de nossa literatura contemporânea. E vez que, expressamente declarou que sua eternidade seria o esquecimento, então, basta que esses herdeiros continuem sua farra regada a uisque escocês em alguma ilha-paraíso, apenas gastando o seu usufruto, para que as duas vontades sejam satisfeitas. A do Poeta, em ver-se esquecido, amargurado em sua infelicidade; a dos herdeiros, em viver apenas na gastança.

Assim, doravante, faremos esse papel de ser o Site Oficial de Carlos Drummond de Andrade, onde pretendemos reunir todo o material disperso na web, centralizando-os. De modo que, acaso algum outro comprovado e legal herdeiro dos direitos autorais apareça, tenha interesse ou manifeste-se entrando em contato conosco, faremos as devidas anotações de direito e, desse dia em diante, acaso permita, seremos efetivamente o que já somos atualmente: O Site Oficial de Drummond.

E acaso não permita, entraremos na seara da tutela jurídica desse direito cultural, face a inércia e não utilização oficial do espaço web já há 22 anos.

Vez que somos avessos à falta de ética, da imoralidade e da ilegalidade, todos os sites onde acaso haja material sobre a vida e a obra desse expoente literário, serão devidamente creditados os seus links, na mesma página onde publicado aqui no nosso doravante Site Oficial de Carlos Drummond de Andrade. Evidentemente, faremos as devidas referências aos sites que os tenha produzido ou retratado ou coletado e também deixaremos integrar as nossas publicações, eventuais links internos que porventura haja nesses sites.

Ainda um porém. Será aberto um tópico apenas para divulgação de todos os sites que localizarmos com referência às obras desse grande e modesto heroi da literatura brasileira.

Assim, trago num dos nossos primeiros tópicos, excelente artigo publicado no diretório Memória Viva de Drummond, no maravilhoso website Memória Viva, de excelente nível e qualidade. E respeitador do preceito ético-legal de referir-se e de citar as fontes onde foram beber o néctar de Drummond.

Um abraço,

Lustato Tenterrara



Trecho adiante desta publicação coletado no website Memória Viva, referências e links expressos acima, e abaixo manutenção dos links, no corpo do texto. Lustato Tenterrara, Owner do Site Oficial de Carlos Drummond de Andrade Site Oficial de Carlos Drummond de Andrade








Trecho adiante desta publicação coletado no website Memória Viva, referências e links expressos acima, e abaixo manutenção
dos links, no corpo do texto.


TRECHOS DA ÚLTIMA ENTREVISTA

Primeira página do suplemento Idéias, de 22 de agosto de 1987, do Jornal do Brasil     O suplemento Idéias, do Jornal do Brasil, de 22 de agosto de 1987 (cinco dias após a morte de Drummond), apresentou em suas páginas centrais trechos da última e exclusiva entrevista
do poeta mineiro ao jornalista Geneton Moares Neto. O material segue logo
abaixo na íntegra.

     Dezessete dias antes de dar adeus ao mundo, Carlos Drummond de Andrade confessava que tinha um único e prosaico medo: o de escorregar, levar uma queda boba e quebrar o fêmur. A confissão é exemplar do temperamento do maior poeta
brasileiro. Quem batesse à porta do apartamento 701 do prédio
de número 60 da Rua Conselheiro Lafayette, em Copacabana, à
procura de declarações grandiloqüentes sobre a vida,
a arte e a eternidade iria se deparar com um homem teimosamente prosaico,
despido de todo e qualquer traço de vaidade e orgulho diante de
uma obra que começou a brotar em Itabira para o mundo em 1918,
ano da publicação de um poema chamado Prosa, num
jornalzinho que só saiu uma vez.

     O Drummond que se revela de corpo inteiro na longa entrevista que nos concedeu em duas sessões - nos dias 20 e 30 de julho - é um homem desiludido com o mundo. Agnóstico. Confessadamente solitário. Cético diante da posteridade.
Injustamente rigoroso no julgamento da obra que produziu. Para todos os
efeitos, Drummond considerava-se apenas o pacífico mineiro de Itabira
portador da carteira de identidade no
803.412. E só. Tinha uma íntima esperança: queria
ver a filha única, a escritora Maria Julieta, recuperada da doença.
Tanto é que tentou adiar a entrevista para ‘quando as coisas melhorassem’.
Não melhoraram. Os azares de agosto desabaram sobre os ombros frágeis
do poeta. O câncer ósseo levou Maria Julieta. E tirou do
poeta a vontade de viver. A imagem do Drummond cambaleante nas alamedas
do cemitério no enterro da filha única era um mau presságio.

Reprodução das páginas centrais do suplemento 'Idéias', do JB, com trechos da última entrevista de Drummond     Menos de uma semana antes da morte da filha, Drummond, enfim, cedera à nossa insistência em obter um longo depoimento - não sem, antes, brindar-nos com o dúbio qualitativo de ‘implacável’.
A entrevista fazia parte do projeto de publicação de um
livro de depoimentos sobre os 60 anos do célebre poema No
meio do caminho
, no próximo ano. Drummond, naturalmente,
não concordava nem de longe com a idéia de homenagear a
data. ‘Não vale a pena; a data não merece consideração
alguma’. Mas, provocado, falou como em poucas vezes: o depoimento, transcrito,
rendeu cerca de mil linhas datilografadas. Um trecho - que antecipava
a decisão do poeta de deixar de escrever - foi publicado no Idéias
há duas semanas. Depois da morte da filha, Drummond tentou sustar
a publicação da entrevista porque a considerava ‘muito festiva’.
Acabou permitindo, sob a condição de que o editor avisasse
que ela tinha sido concedida antes da morte de Maria Julieta. Em poucos
dias, a entrevista transformou-se na cerimônia de adeus do maior
poeta brasileiro. Mais do que nunca, neste depoimento, Drummond insiste
que será esquecido em pouco tempo. Não será. E não
terá sido por acaso que o clima no seu enterro não era propriamente
de comoção. Porque todo mundo ali sabia que, nos versos,
Drummond vive. E, na morte, encontrou o que tanto queria: a paz.



O MEDO

     “A maior chateação da velhice é você ficar privado do uso completo de suas faculdades. A pessoa velha tem de moderar o ritmo do andar, porque, do contrário, o coração começa a pular. Não pode fazer grandes
excessos. Não pode tomar um pileque de vez em quando porque isso provocará
consequências maléficas. Ela tem de ser moderada até
nos amores.
     “O medo que tenho é levar uma queda,
me machucar, quebrar a cabeça, coisas assim, porque, na idade em
que estou, a primeira coisa que acontece numa queda é a fratura
do fêmur. Isso eu receio”.

     “...Cantaremos o medo da morte/ depois morreremos de medo/ e sobre nossos túmulos nascerão flores amarelas e medrosas” (Congresso Internacional do Medo - trecho)

A QUEIXA

     “Antes, as pessoas que sabiam escrever a língua se destacavam na literatura e nas artes em geral. Mas hoje há escritores premiados que não conhecem a língua natal...
     “Quem hoje não sabe a língua
e se manifesta mal é que aprendeu de maus professores. A decadência
do ensino no Brasil é uma coisa que tem pelo menos trinta a quarenta
anos - e talvez mais”.

     “Precisamos educar o Brasil/ Compraremos professores e livros/ assimilaremos finas culturas/ abriremos dancings e subvencionaremos as elites/ Cada brasileiro terá sua casa/ com fogão e aquecedor elétrico, piscina/ salão para conferências
científicas./ E cuidaremos do Estado Técnico” (Hino
Nacional
- trecho)

A VIDA

     “Minha vida? Acho que foi pouco interessante. O que é que eu fui? Fui um burocrata, um jornalista burocratizado. Não tive nenhum lance importante na minha vida. Nunca exerci um cargo que me permitisse tomar uma grande decisão política
ou social ou econômica. Nunca nenhum destino ficou dependendo da
minha vida ou do meu comportamento ou da minha atitude.
     “Eu me considero - e sou realmente - um
homem comum. Não dirijo nenhuma empresa pública ou privada.
A sorte dos trabalhadores não depende de mim”.

     “Sou apenas um homem/ Um homem pequenino à beira de um rio/ Vejo as águas que passam e não as compreendo/ ...Sou apenas o sorriso na face de um homem calado” (América - trecho)

O PAÍS

     “Eu lamento que haja pouco consumo de livro no Brasil. Mas aí é um problema muito mais grave. É o problema da deseducação, o problema da pobreza - e, portanto, o da falta de nutrição e da falta de saúde. Antes
de um escritor se lamentar porque não é lido como são
lidos os escritores americanos ou europeus, ele deve se lamentar de pertencer
a um país em que há tanta miséria e tanta injustiça
social”.

     “Precisamos descobrir o Brasil/ Escondido atrás das florestas/ com a água dos rios no meio/ o Brasil está dormindo, coitado” (Hino Nacional - trecho)

O VOTO

     “Acho o Partido Verde muito limitado. Por que somente verde? Eu seria partidário de todas as cores do arco-íris - do vermelho vivo do sangue que palpita nas artérias ao azul do céu. O Partido que gostaria de ver implantado no Brasil, com condições
de assumir o poder ou de partilhar o poder com partidos mais burgueses
seria o Partido Socialista.
      “Quando há eleição,
não voto mais. Deixei de votar, porque me desinteressei. Deixei
de votar porque a lei me faculta deixar de votar aos setenta anos. Ainda
votei, até os oitenta e poucos. Depois, verifiquei que o quadro
político não agradava nem me seduzia. As opções
não eram agradáveis para mim”.

     “Eu também já fui brasileiro/ moreno como vocês/ Ponteei viola, guiei forde/ e aprendi na mesa dos bares/ que o nacionalismo é uma virtude/ Mas há uma hora em que os bares se fecham/ e todas as virtudes se negam” (Também
já fui brasileiro
- trecho)

A BELEZA

     “A beleza ainda me emociona muito. Não só a beleza física, mas a beleza natural. Hoje, com quase oitenta e cinco anos, tenho uma visão da natureza muito mais rica do que eu tinha quando era jovem. Eu reparava mais em certas formas de
beleza. Mas, hoje, a natureza, para mim, é um repertório
surpreendente de coisas magníficas e coisas belas. Contemplar o
vôo do pássaro, contemplar uma pomba ou uma rolinha que pousa
na minha janela... Fico estático vendo a maravilha que é
aquele bichinho que voou para cima de mim, à procura de comida
ou de nem sei o quê. A inter-relação dos seres vivos
e a integração dos seres vivos no meio natural, para mim,
é uma coisa que considero sublime”.

     “Amar um passarinho é uma coisa louca/ Gira livre na longa azul gaiola/ que o peito me constrange/ enquanto a pouca liberdade de amar logo se evola... O passarinho baixa a nosso alcance/ e na queda submissa o vôo segue/ e prossegue sem asas,
pura ausência” (Sonetos do pássaro - trecho)

A SOLIDÃO

     “Se eu me sinto solitário? Em parte, sim, porque perdi meus pais e meus irmãos todos. Nós éramos seis irmãos. E, em parte, porque perdi também amigos da minha mocidade, como Pedro Nava, Mílton Campos, Emílio Moura,
Rodrigo Melo Franco de Andrade, Gustavo Capanema e outros que faziam parte
da minha vida anterior, a mais profunda. Isso me dá um sentimento
de solidão. Por outro lado, a solidão em si é muito
relativa. Uma pessoa que tem hábitos intelectuais ou artísticos,
uma pessoa que gosta de música, uma pessoa que gosta de ler nunca
está sozinha. Ela terá sempre uma companhia: a companhia
imensa de todos os artistas, todos os escritores que ela ama, ao longo
dos séculos”.

     “Precisava de um amigo/ desses calados, distantes,/ que lêem verso de Horácio/ mas secretamente influem/ na vida, no amor, na carne/ Estou só, não tenho amigo/ E a essa hora tardia/ como procurar um amigo?” (A bruxa
- trecho)

A POESIA

     “Não lamento, na minha carreira intelectual, nada que tenha deixado de fazer. Não fiz muita coisa. Não fiz nada organizado. Não tive um projeto de vida literária. As coisas foram acontecendo ao sabor da inspiração e do
acaso. Não houve nenhuma programação. Não
tendo tido nenhuma ambição literária, fui mais poeta
pelo desejo e pela necessidade de exprimir sensações e emoções
que me perturbavam o espírito e me causavam angústia. Fiz
da minha poesia um sofá de analista. É esta a minha definição
do meu fazer poético. Não tive a pretensão de ganhar
prêmios ou de brilhar pela poesia ou de me comparar com meus colegas
poetas. Pelo contrário. Sempre admirei muito os poetas que se afinavam
comigo. Mas jamais tive a tentação de me incluir entre eles
como um dos tais famosos. Não tive nada a me lamentar. Também
não tenho nada do que me gabar. De maneira nenhuma. Minha poesia
é cheia de imperfeições. Se eu fosse crítico,
apontaria muitos defeitos. Não vou apontar. Deixo para os outros.
Minha obra é pública.
     “Mas eu acho que chega. Não quero
inundar o mundo com minha poesia. Seria uma pretensão exagerada”.

     “Não serei o poeta de um mundo caduco/ Também não cantarei o mundo futuro/ Estou preso à vida e olho meus companheiros/ Estão taciturnos mas nutrem grandes esperanças” (Mãos dadas
- trecho)

A CRIAÇÃO

     “Pelo menos na minha experiência pessoal, há uma emoção grande e uma alegria no momento de escrever o poema. Uma vez feito, é como o ato amoroso. Você sente o orgasmo, sai a poluição e depois aquilo acabou.
Fica a lembrança agradável, mas você não pode
dizer que aquele orgasmo foi melhor do que o outro! O mecanismo não
é o mesmo, a reação não é a mesma”.

     “É sempre no passado aquele orgasmo/ é sempre no presente aquele duplo/ é sempre no futuro aquele pânico/ É sempre no meu peito aquela garra/ É sempre no meu tédio aquele aceno/ É sempre no meu sono aquela guerra”
(O enterrado vivo - trecho)

A NOVA REPÚBLICA

     “Não teria cabimento eu escrever uma Constituição (ri). Não tenho a menor intenção e esta idéia nunca me passou pela cabeça. A Constituição de que eu mais gostaria é esta - ‘Artigo primeiro: Não
há artigo primeiro. Artigo segundo: também não
há artigo segundo. Parágrafo. Revogam-se as disposições
em contrário’. Nem sei quem é o autor desta idéia.
     “O Brasil está vivendo um fase de
profunda inquietação e transformação de valores.
É cedo para julgar um político, um presidente, um ministro.
Nós estamos - ao mesmo tempo - participando da ação
e querendo ser juízes. O observador, o participante, nunca é
o juiz. A gente pode julgar o marechal Deodoro da Fonseca porque nós
já sabemos no que deu a República com quase cem anos. Então,
é uma figura histórica. Mas julgar historicamente e moralmente
um nosso contemporâneo me parece uma das coisas mais difíceis
de fazer. Não tenho opinião a respeito.
     “O poeta não se situa em nenhuma
república. O poeta se situa como poeta”.

     “O que desejei é tudo/ Retomai minhas palavras/ meus bens, minha inquietação/ fazei o canto ardoroso/ cheio de antigo mistério/ mas límpido e resplendente” (Cidade prevista - trecho)

O ESTADO NOVO

     “A minha relação com o poder foi uma relação amistosa com o ministro Gustavo Capanema, pelo fato de nós sermos companheiros antigos. Nunca participei do poder. Nunca desejei. Nunca teria vocação. Eu era da
estrita confiança do ministro. Esculhambavam-me e acusavam-me de
fazer favoritismo político e de arranjar nomeação
de pessoas para falarem bem de mim nos jornais, o que é absolutamente
falso. Eu não tinha poder! E eu não trairia a confiança
de Gustavo Capanema (ministro da Educação do primeiro
governo de Getúlio Vargas
) fazendo coisas assim. Nunca tive
a oportunidade de conversar com Getúlio, embora fosse acusado de
poeta ligado ao Estado Novo. Eu não tinha nada com o Estado Novo.
Nunca participei de homenagens ao governo. E saí de lá com
as mãos abanando”.

     “Tenho apenas duas mãos/ e o sentimento do mundo/ mas estou cheio de escravos” (Sentimento do mundo - trecho)

A ACADEMIA

“A Academia nunca me inspirou desprezo. Não posso desprezá-la porque não acho que é uma instituição digna de desprezo. O que há é o seguinte: não tenho espírito acadêmico, não tenho a tendência para ser acadêmico. A Academia, então,
não me produz uma sensação de desprezo nem de desgosto.
Apenas relativo distanciamento. Mas devo assinalar que, dentro da Academia,
estão alguns dos meus melhores amigos. São companheiros
de juventude, como Afonso Arinos, Abgar Renaut, Ciro dos Anjos - que não
é só meu amigo: é meu compadre. Não tenho
nada individualmente contra os acadêmicos. Acredito que - sendo
uma instituição composta por quarenta pessoas - dificilmente,
em qualquer lugar do mundo, essas quarenta pessoas serão bons escritores.
Haverá, sempre, uma parcela de escritores menores e, até,
de maus escritores”.

“Ah, não me tragam originais/ para ler, para corrigir, para louvar/ sobretudo, para louvar/ Não sou leitor nem espelho/ de figuras que amam refletir-se no outro/ à falta de retrato interior” (Apelo aos meus dessemelhantes em favor da paz - trecho)

O JORNALISMO

“Trabalhei na imprensa durante a minha vida toda, com um ligeiro intervalo em que me dediquei só à burocracia do Ministério da Educação. Sempre tive muita consideração dos meus companheiros. E muita liberdade. Mas me recordo que, há tempos atrás, num momento de molecagem,
para testar a resistência do copy-desk, no Jornal do Brasil,
escrevi a palavra bunda. Cortaram e botaram a palavra traseiro.
Hoje, a palavra bunda circula até em fotografia, em desenho,
por toda parte. Uma das coisas mais celebradas pela grande imprensa é
a bunda. A televisão está lá - mostrando bunda de
homem, o que, a nós, não interessa...
“Não participei da elaboração
do grande jornal diário e intenso. Como cronista, escrevia em casa.
O jornal, gentilmente, mandava apanhar a minha matéria. Como jornalista,
não tive a emoção da grande reportagem e dos grandes
acontecimentos que eu teria de enfrentar numa fração de
segundo para que a matéria saísse no dia seguinte”.

“O fato ainda não acabou de acontecer/ E já a mão nervosa do repórter o transforma em notícia/ O marido está matando a mulher/ A mulher ensanguentada grita/ Ladrões arrombam o cofre/ A polícia dissolve o meeting/ A pena escreve/ Vem da sala de linotipos a doce música mecânica”
(Poema do jornal)

A VOCAÇÃO

“Eu acredito que a poesia tenha sido uma vocação, embora não tenha sido uma vocação desenvolvida conscientemente ou intencionalmente. Minha motivação foi esta: tentar resolver, através de versos, problemas existenciais internos. São problemas de angústia, incompreensão
e inadaptação ao mundo”.

“Quando nasci, um anjo torto/ desses que vivem na sombra/ disse: Vai, Carlos! ser gauche na vida” (Poema de Sete Faces - trecho)

ADEUS

“Quem é que fala hoje em Humberto de Campos? Quem é que fala em Emílio de Menezes? Quem é que fala em Goulart de Andrade? Quem é que fala em Luís Edmundo? Ninguém se recorda deles! Não fica nada! É engraçado. Mas não fica, não. Não tenho a
menor ilusão. E não me aborreço: acho muito
natural. É assim mesmo que é a vida.
“Não vou dizer como o Figueiredo:
‘Quero que me esqueçam!’ Podem falar. Não me interessa,
porque não acredito na vida eterna. Para mim, é indiferente.
“Nenhum poema meu entrou para a História
do Brasil. O que aconteceu foi o seguinte: ficaram como modismos e como
frases feitas: ‘tinha uma pedra no meio do caminho
e ‘e agora, José?’. Que eu saiba, só.
Mais nada.
“Não tenho a menor pretensão
de ser eterno. Pelo contrário: tenho a impressão de que
daqui a vinte anos eu já estarei no Cemitério de São
João Baptista. Ninguém vai falar de mim, graças a
Deus. O que eu quero é paz”.

“Quero a paz das estepes/ a paz dos descampados/ a paz do Pico de Itabira/ quando havia Pico de Itabira/ A paz de cima das Agulhas Negras/ A paz de muito abaixo da mina mais funda e esboroada de Morro Velho/ A paz da paz” (Apelo a meus dessemelhantes em favor da paz - trecho)

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Memória
Drummond


Amar o perdido deixa confundido
este coração.

Nada pode o olvido
contra o sem sentido
apelo do Não.

As coisas tangíveis
tornam-se insensíveis
à palma da mão

Mas as coisas findas
muito mais que lindas,
essas ficarão.

(Drummond)


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CONFIDÊNCIA DO ITABIRANO (as lembranças da cidade-natal) “Alguns anos vivi em Itabira./ Principalmente nasci em Itabira./" Por isso sou triste, orgulhoso: de ferro”
(principal atividade da cidade)

“A vontade de amar,
que me paralisa o trabalho,
vem de Itabira
(...)

E o hábito de sofrer,
que tanto me diverte,
é doce herança itabirana
(...)

Tive ouro, tive gado, tive fazendas./
Hoje sou funcionário público./
Itabira é apenas um retrato na parede./

Mas como dói!”
(Carlos Drummond de Andrade)




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Carlos, o Gauche! (Lustato Tenterrara) Carlos Drummond de Andrade é algo assim, imensurável... E somente por esta saudade que ora sinto de ti, sem nem ao menos nos conhecermos pessoalmente, ora te dedico um poema, quem sabe uma crónica, talvez um artigo em verso e prosa. Sei lá!
Dirá o leitor, se o que escrevo tem poesia, se é uma forma de poema...
Ou um mero desabafo de saudades.
(Lustato Tenterrara)




Ainda Há Alguma Poesia
Dedicado a Drummond, nesses dias de muita saudade
(Lustato Tenterrara)

Tem dias que a gente acorda com uma saudade da gente mesmo.
Dos dias que já se foram.

Do menino, moleque de tomar banhos na chuva.
De correr pelas ruas de nossas infâncias,
adentrando nas ventanias vespertinas de fins-de-tarde,
prenunciadoras de chuva e tempestade
e que ainda hoje levanta poeira, na Chapada do Corisco.

Tem dias que nos dá uma saudade danada do espelho de nossas espinhas juvenis.

Tem dias pra tudo!

Dias há, ainda, que passamos despercebidos pela vida afora,
sem tempo para um suspiro, no cangote de nossa amada.

São tantos os dias que nos leva embora de nossos sonhos.

Sonhos, ah sonhos juvenis da mocidade!

Quanto de nós, de nossa essência, ficara no caminho?

Quanto tempo, quanto viver?

Quanta experiência perdemos por haver - no meio do caminho - uma pedra
a obstacular o caminhar de nossos desejos?

Sonhos oh sonhos juvenis!

Quantos desejos, amores, paixões?

Tudo ali, ao alcance da palma de nossas mãos,
e no entanto retrocedemos, sem a coragem de ousar,
ante o coração taquicárdio
a nos balançar ao leve rumor de acaso encontrá-la no meio do caminho.

No lugar de uma pedra, ela!

Sonhos...
Há tantos sonhos nos caminhos de nossa mocidade.

Vão se perdendo, aos poucos.
Uma hora um; outra hora, outro.

E assim, sucessivamente, nossos sonhos vão ficando pela beira do caminho.
Impávidos.
Serenos.

No entanto, vivemos.

Buscamos esse amor maior em nossas vidas: o amor correspondido...
Apesar de nossos sonhos;
Apesar de sermos nós meros bóia-frias-peões de nossas existências.

No entanto sonhamos. E isso é poesia!
(Lustato Tenterrara, dedicado a Carlos Drummond de Andrade)



Um abraço, amigos. Que as leituras façam conosco, o que fizeram a Drummond, no entanto, sem a tristeza de suas pedras de ferro, ou de seus penosos ais. Drummond para sempre e forever em nossos corações, e seremos poetas do infinito. (Lustato Tenterrara)


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(by Lustato Tenterrara)


Tem dias que a gente acorda com uma saudade da gente mesmo.
Dos dias que já se foram.

Do menino, moleque de tomar banhos na chuva.
De correr pelas ruas de nossas infâncias,
adentrando nas ventanias vespertinas de fins-de-tarde,
prenunciadoras de chuva e tempestade.

Tem dias que nos dá uma saudade danada do espelho de nossas espinhas juvenis.

Tem dias pra tudo!

Acho que assim Drummond fez o inalcançável poema "CONFIDÊNCIA DO ITABIRANO", com suas lembranças dias que já se foram.
(Lustato Tenterrara)



CONFIDÊNCIA DO ITABIRANO
(as lembranças da cidade-natal)

“Alguns anos vivi em Itabira.
Principalmente nasci em Itabira."
Por isso sou triste, orgulhoso: de ferro.”
(principal atividade da cidade)

“A vontade de amar,
que me paralisa o trabalho,
vem de Itabira.
(...)

E o hábito de sofrer,
que tanto me diverte,
é doce herança itabirana
(...)

Tive ouro, tive gado, tive fazendas.
Hoje sou funcionário público.
Itabira é apenas um retrato na parede.

Mas como dói!”
(Carlos Drummond de Andrade)


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๑۩۩๑۩๑♪♪Lustato♪ ♪Tenterrara♪♪๑۩ Comentário de ๑۩۩๑۩๑♪♪Lustato♪ ♪Tenterrara♪♪๑۩ em 7 junho 2009 às 11:35





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Carlos, o Gauche!
(Lustato Tenterrara)
Carlos Drummond de Andrade é algo assim, imensurável...
E somente por esta saudade que ora sinto de ti,
sem nem ao menos nos conhecermos pessoalmente,
ora te dedico um poema, quem sabe uma crónica, talvez um artigo em verso e prosa.
Sei lá!

Dirá o leitor, se o que escrevo tem poesia, se é uma forma de poema...
Ou um mero desabafo de saudades.
(Lustato Tenterrara)




Ainda Há Alguma Poesia
Dedicado a Drummond, nesses dias de muita saudade
(Lustato Tenterrara)

Tem dias que a gente acorda com uma saudade da gente mesmo.
Dos dias que já se foram.

Do menino, moleque de tomar banhos na chuva.
De correr pelas ruas de nossas infâncias,
adentrando nas ventanias vespertinas de fins-de-tarde,
prenunciadoras de chuva e tempestade
e que ainda hoje levanta poeira, na Chapada do Corisco.

Tem dias que nos dá uma saudade danada do espelho de nossas espinhas juvenis.

Tem dias pra tudo!

Dias há, ainda, que passamos despercebidos pela vida afora,
sem tempo para um suspiro, no cangote de nossa amada.

São tantos os dias que nos leva embora de nossos sonhos.

Sonhos, ah sonhos juvenis da mocidade!

Quanto de nós, de nossa essência, ficara no caminho?

Quanto tempo, quanto viver?

Quanta experiência perdemos por haver - no meio do caminho - uma pedra
a obstacular o caminhar de nossos desejos?

Sonhos oh sonhos juvenis!

Quantos desejos, amores, paixões?

Tudo ali, ao alcance da palma de nossas mãos,
e no entanto retrocedemos, sem a coragem de ousar,
ante o coração taquicárdio
a nos balançar ao leve rumor de acaso encontrá-la no meio do caminho.

No lugar de uma pedra, ela!

Sonhos...
Há tantos sonhos nos caminhos de nossa mocidade.

Vão se perdendo, aos poucos.
Uma hora um; outra hora, outro.

E assim, sucessivamente, nossos sonhos vão ficando pela beira do caminho.
Impávidos.
Serenos.

No entanto, vivemos.

Buscamos esse amor maior em nossas vidas: o amor correspondido...
Apesar de nossos sonhos;
Apesar de sermos nós meros bóia-frias-peões de nossas existências.

No entanto sonhamos. E isso é poesia!
(Lustato Tenterrara, dedicado a Carlos Drummond de Andrade)




Um abraço, amigos.
Que as leituras façam conosco,
o que fizeram a Drummond,
no entanto, sem a tristeza de suas pedras de ferro, ou de seus penosos ais.

Drummond para sempre e forever em nossos corações,
e seremos poetas do infinito.
(Lustato Tenterrara)




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Ainda Há Alguma Poesia
(by Lustato Tenterrara)


Tem dias que a gente acorda com uma saudade da gente mesmo.
Dos dias que já se foram.

Do menino, moleque de tomar banhos na chuva.
De correr pelas ruas de nossas infâncias,
adentrando nas ventanias vespertinas de fins-de-tarde,
prenunciadoras de chuva e tempestade.

Tem dias que nos dá uma saudade danada do espelho de nossas espinhas juvenis.

Tem dias pra tudo!

Acho que assim Drummond fez o inalcançável poema "CONFIDÊNCIA DO ITABIRANO", com suas lembranças dias que já se foram.
(Lustato Tenterrara)



CONFIDÊNCIA DO ITABIRANO
(as lembranças da cidade-natal)

“Alguns anos vivi em Itabira.
Principalmente nasci em Itabira."
Por isso sou triste, orgulhoso: de ferro.”
(principal atividade da cidade)

“A vontade de amar,
que me paralisa o trabalho,
vem de Itabira.
(...)

E o hábito de sofrer,
que tanto me diverte,
é doce herança itabirana
(...)

Tive ouro, tive gado, tive fazendas.
Hoje sou funcionário público.
Itabira é apenas um retrato na parede.

Mas como dói!”
(Carlos Drummond de Andrade)



(c) Lustato Tenterrara & Carlos Drummond de Andrade

Descobri, hoje, que Drummond não tem um site oficial.
Há um que assim se intitula, mas não deve ser, pois nada tem,
além de um vídeo do youtube e alguns adsense.

Como é que pode, meu Deus,
não haver um Site Oficial de Carlos Drummond de Andrade?


Não tem? Então fazemos isso: Te indico a excelente
Comunidade Carlos Drummond de Andrade, no Multiply, organizado por Denise Miranda.

Ah! Apenas por que prazer nos dá,
também fiz uma Comunidade Carlos Drummond de Andrade, na Rede Brasil Poesias,
e que, agora, doravante, direi em alto e bom som, ser
o Site Oficial de Carlos Drummond de Andrade,
junto com o da minha amiga Denise, se ela assim o permitir.


Então, na falta do Site Oficial de Drummond,
indico logo esses dois:
Um de Denise, no Multiply;
outro, meu... na Rede Brasil Poesias...

E ambos do mundo.
Ah! E eu não me chamo Raimundo!
(Lustato Tenterrara)









๑۩۩๑۩๑♪♪Lustato♪ ♪Tenterrara♪♪๑۩ Comentário de ๑۩۩๑۩๑♪♪Lustato♪ ♪Tenterrara♪♪๑۩ em 6 junho 2009 às 22:13



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CONFIDÊNCIA DO ITABIRANO
(as lembranças da cidade-natal)

“Alguns anos vivi em Itabira./
Principalmente nasci em Itabira./"
Por isso sou triste, orgulhoso: de ferro”
(principal atividade da cidade)
“A vontade de amar,
que me paralisa o trabalho,
vem de Itabira (...)

E o hábito de sofrer,
que tanto me diverte,
é doce herança itabirana (...)

Tive ouro, tive gado, tive fazendas./
Hoje sou funcionário público./
Itabira é apenas um retrato na parede./

Mas como dói!”
(Carlos Drummond de Andrade)



 

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